ATIVIDADE: PRODUZINDO TEXTOS DE GÊNEROS DE DIFERENTES ESFERAS
Fomos convidados a imaginar a
inusitada sequência de eventos que segue, como se ela tivesse acontecido com
alguém logo ao acordar.
Sequência de eventos retirada de
LAGE, Nilson. Estrutura da notícia. São Paulo: Ática, 2006. p.
21-22 .
Baseando-se nessa sequência de
eventos, solicitou-se a cada participante deste grupo que escrevesse um
texto em forma de um interrogatório (que supostamente aconteceu horas
depois dos eventos indicados e é presidido pelo delegado junto a pessoa que
encontrou o cadáver).
Em seguida, cada um postou seu
texto no Fórum de grupo, onde os
cursistas da turma 41 do curso Leitura e Escrita em Contexto Digital opinaram
sobre o conteúdo tecido em cima do gênero exigido para esta atividade; após os
comentários, cada participante postou sua produção textual no blog construído
em equipe.
Portanto, estamos colocando para
apreciação e avaliação, o que nos foi exigido como participação
dentro dessa atividade do Módulo 3.
ELEMENTOS CONSTITUINTES DO GÊNERO DE TEXTO INTERROGATÓRIO - CONTEÚDO
TEMÁTICO, FORMA COMPOSICIONAL E ESTILO
TIPO DE RELATO
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TIPO DE LINGUAGEM
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PESSOA
DO
RELATO
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TIPOS DE PALAVRAS CARACTERÍSTICAS DO
RELATO
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Relato de fatos na ordem em que ocorreram com descrição
objetiva e minuciosa dos detalhes que cercam o ocorrido.
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Uso misturado de linguagem mais formal com outra mais
coloquial.
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Relato em primeira pessoa.
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Presença de palavras que indicam precisão, tais como
números, nomes e endereços completos.
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Delegado - Bom dia, senhor. Preciso fazer alguns questionamentos sobre
o fato que aconteceu hoje pela manhã em seu prédio.
Felipe - Pois não.
Delegado - Primeiramente, faz-se necessário qualificá-lo como
testemunha.
Felipe - Por que qualificar? Apenas encontrei o homem caído em frente à
minha porta, não presenciei nada.
Delegado - Por favor, senhor, entenda isso como um procedimento de
praxe: recebemos um chamado de seu apartamento e, até o presente momento, não
temos identificação alguma do corpo e nenhuma outra testemunha. Por favor, diga
seu nome completo, sua idade e RG.
Felipe - Felipe Ribeiro, 25 anos, RG 00.000.000-1.
Delegado - Cite seu endereço completo e o tempo de residência no local.
Felipe - Moro há cinco anos na Rua 7 de setembro, 1225, 8o andar,
apartamento 455, Centro, Rio Claro.
Delegado - Profissão e local de trabalho.
Felipe - Professor. Trabalho na Escola Estadual Dr. Francisco de Araújo
Mascarenhas.
Delegado - Esta delegacia recebeu um chamado denunciando a presença de
um cadáver em frente ao seu apartamento. Quem fez a ligação?
Felipe - Não vi ninguém no corredor, fiquei apavorado e não sabia a
quem recorrer. Por isso, eu mesmo liguei.
Delegado - Quanto tempo depois de encontrar o corpo, o senhor tomou a
iniciativa de ligar?
Felipe - Não sei. A julgar pela hora que acordei e tendo em vista que
foi logo em seguida que ouvi a campainha, creio que devo ter ligado por volta
das 7h30min, imediatamente após ter notado que o homem estava morto.
Delegado - O senhor disse ter ouvido a campainha? Então, havia mais
alguém?
Felipe - Eu não vi se havia mais alguém. Só sei que ao escutar a
campainha tocando, fui atender e me deparei com o corpo caído na soleira da
minha porta. Fiquei assustado e quando percebi o corpo imóvel, toquei nele e
senti que estava frio e rígido. Creio que não foi ele que tocou a campainha.
Aí, fechei a porta correndo e a primeira coisa que me veio à cabeça foi ligar
para a polícia.
Delegado - O senhor estima quanto tempo desde que ouviu a campainha até
abrir a porta?
Felipe - Foi o tempo de secar o rosto e caminhar até a porta. Penso que
não chegou a 1 minuto.
Delegado - O senhor se lembra de ter escutado algum barulho antes do
toque da campainha?
Felipe - Não que eu tenha prestado atenção, pois faço tudo muito rápido
pela manhã e costumo deixar a televisão ligada para ouvir o noticiário.
Delegado - Entendo. O senhor conhecia a vítima?
Felipe - Não tenho a menor ideia de quem seja.
Delegado - Lembra-se de já tê-la vista pelo prédio?
Felipe - Costumo encontrar diferentes pessoas no elevador, nos
corredores, mas a imagem desse homem não me é familiar.
Delegado - O senhor conhece as pessoas que moram em seu andar?
Felipe - Dificilmente nos comunicamos, pois são pessoas que moram
sozinhas e que trabalham o dia todo. A gente se depara ao sair ou ao chegar.
Sei que um dos moradores se mudou para o prédio há uns cinco meses.
Delegado - Percebe alguma movimentação estranha em algum dos
apartamentos?
Felipe - Às vezes, nos finais de semana, é comum alguma movimentação
maior, pois devem receber visitas, o que é aparentemente normal.
Delegado - A que horas o senhor chegou em casa, na noite passada? Notou
algum sinal de festa ou movimentação estranha?
Felipe - Cheguei por volta das 19 horas e não notei nada de diferente.
Delegado - O senhor gostaria de acrescentar algo mais?
Felipe - Não, nada mais.
Delegado - Agradecemos sua contribuição. Talvez seja necessário ouvi-lo
novamente, mas o avisaremos se for o caso. Tenha um bom dia.
Felipe - Bom dia.
RENATA MARQUES LUIZ DOS SANTOS:
O delegado chega ao local e
encontra uma aglomeração.
Delegado - Quem encontrou o
corpo?
Renata - Fui eu.
Delegado - Qual o seu nome?
Renata - Renata.
Delegado - Como foi que a senhora
a encontrou?
Renata - Eu costumo caminhar
nesta rua, todos os dias. Eu estava vindo, como de costume, e avistei essa moça
caída. Quando me aproximei, vi sangue na calçada e percebi que ela estava
morta.
Delegado - A senhora tocou nela,
alterou a cena do crime de alguma maneira?
Renata - Não. Eu só percebi que
ela não estava respirando, mas não mexi no corpo.
Delegado - A senhora conhecia a
vítima?
Renata - Eu não sei quem ela é,
mas já a vi por aqui diversas vezes.
(O delegado pega a bolsa da
vítima, tira a carteira com os documentos e pede pra um investigador procurar
saber se ela mora na região ou se alguém a conhece).
Delegado - A senhora viu alguém
próximo da cena do crime ou algo suspeito?
Renata - Quando eu estava me
aproximando, vi uma van que estava parada um pouco mais a frente, dando uma
arrancada naquela direção.
Delegado - A senhora conseguiu
ver a placa?
Renata - Hoje não, mas eu já vi
essa van antes por aqui e me chamou a atenção porque a placa é de Recife.
Delegado - A senhora tem certeza
de que é a mesma van?
Renata - Certeza absoluta eu não
tenho, mas é a mesma cor e o mesmo modelo.
(O delegado determina que o
investigador pergunte aos moradores do bairro se algum deles pode identificar a
van ou o motorista.)
Delegado - Quanto à senhora, dona
Renata, preciso que se dirija, amanhã, sem falta, ao 12º distrito policial,
para tomarmos o seu depoimento e darmos início ao inquérito.
Renata - Sim senhor. Conte comigo
para colaborar com as investigações.
O interrogatório
Na tarde do dia e horário determinado para o interrogatório cheguei a 30ª
Delegacia de Polícia do Interior Paulista, intimada para prestar
esclarecimentos, como “testemunha”, de um delito ocorrido pela manhã como
constava no B.O.
Fui informada que por ordem delegado foi feita a instauração do inquérito para
elucidar e coletar informações o sobre o fato delituoso e que a realização do
interrogatório seria feito pelo mesmo que estava de plantão naquele momento.
Esperei pela hora marcada... 14h e 30 min. Logo após o delegado me chamou.
- Senhora Ely? Entre, por favor.
- Boa tarde.
- Boa tarde.
- Sente-se.
- Obrigada.
- Senhora Ely...
- Ely dos Santos.
- A senhora está ciente que esta aqui para prestar esclarecimentos em termo de
depoimento?
- Sim, delegado estou ciente.
- Como consta no B.O., às 5h e 30min., houve uma chamada do número de telefone
da sua residência, em seu nome, para o número 190 solicitando a presença da PM,
para averiguação do fato ocorrido?
- Sim, fui eu que liguei para 190, quando vi aquele corpo na minha porta.
- Como relata a ocorrência nesse local foi encontrado um cadáver identificado
como do sexo masculino, com dados já confirmados. A Sra. conhecia a vítima?
- Não a conhecia.
- Mas como já foi averiguado ele residia nesse condomínio há três meses próximo
ao seu número. Tem conhecimento deste fato?
- Eu não tinha amizade com ele, apenas vi-o entrar na casa ao lado
algumas vezes. Nos cumprimentamos... somente.
- Sra. Ely, a quanto tempo reside nesse local?
- Mudei-me a um mês.
- Relate-me o que aconteceu.
- Delegado, como faço sempre... Abri os olhos. Consultei o relógio de
cabeceira. Levantei-me. Fui ao banheiro. Escovei os dentes. Lavei o rosto. Ouvi
a campanhia da porta... Enxuguei-me às pressas. Sai do banheiro. Caminhei até a
porta. Destranquei a fechadura. Abri a porta. Vi um homem caído na
soleira. Corri o olhar em volta. Constatei que não havia ninguém mais no
corredor.
- Continue... E o que mais?
- Abaixei-me. Toquei o corpo estava frio e rígido. Percebi que era um cadáver.
- Por que?
- Estava frio e rígido. Corri para o telefone. Disquei o número da
central de polícia.
- Viu, ouviu algo que não fazia parte da rotina do dia?
- Não, nem a noite.
- Sra. Ely, no momento em que discava, sua porta permaneceu aberta ou fechada?
- Sr. Delegado, eu fechei a porta.
- Por que?
- Fiquei com medo!
- E o que aconteceu logo em seguida?
- Sentei-me no sofá da sala de estar, estava muito assustada, esperei e
em alguns minutos após a viatura chegou.
- No momento havia alguém no local?
- Não.
- Digo, em sua residência?
- Não delegado. Eu estava sozinha.
- Poderia me dizer o por quê ou algum motivo pelo qual o corpo estava na
soleira da sua porta?
- Não delegado. Estou apavorada com esse fato. Eu não o conhecia!
- Todas as informações aqui prestadas pela Sra., contribuem para o conjunto
investigatório.
- Compreendo, Sr. Algo mais, delegado?
- Pelo momento é só isso, caso contrário, solicitaremos sua presença.
- Boa tarde!
- Boa tarde!
Voltei para casa. Esquecer impossível. A vida continua...
Estou sentada no sofá aguardando
a chegada da polícia. Espero que não demore! Estou apavorada!
Ouço a campainha, abro porta.
Diante de mim alguns policiais me olham com desconfiança. Apresentam-se:
- Delegado Esteves, muito prazer.
Estes são os policiais José e Wilson.
- Muito prazer, como já
informei pelo telefone, ao acordar escutei a campainha tocar e quando abri a
porta me deparei com essa pessoa morta.
- A senhora o conhecia?
- Não, talvez more aqui no
prédio, não sei, não conheço todos os moradores.
- Tudo que for dito constará dos
autos do processo, a senhora sabe? Tem conhecimento da importância de suas
declarações?
- Sim, tenho.
- A senhora teria algum suspeito?
A pergunta me pegou de surpresa.
Como poderia suspeitar de alguém?
- Claro que não. Conheço pouca
gente, aqui no condomínio.
Então, me lembrei, havia uma
fofoqueira no prédio, uma senhora, a síndica, ela sabia tudo, via tudo.
- Doutor aqui tem uma síndica,
conhecida como "velha pescoço". Precisamos falar com ela, com certeza
ela será útil.
Embora a situação fosse tensa,
houve um ligeiro sorriso no rosto de cada um.
- Ela mora no 309.
- Obrigado, disse o delegado,
retirando-se com os policiais. Vou tomar as providências necessárias para a
remoção do corpo e tentar um encontro com a síndica.

Ótimos textos.
ResponderExcluirParabéns a minha equipe!!!
Ely.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirParabéns aos colegas! Gostei de todos os textos!
ExcluirRegina Marques