segunda-feira, 5 de novembro de 2012


ATIVIDADE: PRODUZINDO TEXTOS DE GÊNEROS DE DIFERENTES ESFERAS

Fomos convidados a imaginar a inusitada sequência de eventos que segue, como se ela tivesse acontecido com alguém logo ao acordar.

Sequência de eventos retirada de LAGE, Nilson. Estrutura da notícia. São Paulo: Ática, 2006. p. 21-22 .

Baseando-se nessa sequência de eventos, solicitou-se a cada participante deste grupo que escrevesse um texto em forma de um interrogatório (que supostamente aconteceu horas depois dos eventos indicados e é presidido pelo delegado junto a pessoa que encontrou o cadáver).
Em seguida, cada um postou seu texto no Fórum de grupo, onde os cursistas da turma 41 do curso Leitura e Escrita em Contexto Digital opinaram sobre o conteúdo tecido em cima do gênero exigido para esta atividade; após os comentários, cada participante postou sua produção textual no blog construído em equipe.
Portanto, estamos colocando para apreciação e avaliação, o  que nos foi exigido como participação dentro dessa atividade do Módulo 3.

ELEMENTOS CONSTITUINTES DO GÊNERO DE TEXTO INTERROGATÓRIO - CONTEÚDO TEMÁTICO, FORMA COMPOSICIONAL E ESTILO


TIPO DE RELATO

TIPO DE LINGUAGEM

PESSOA
DO
RELATO

TIPOS DE PALAVRAS CARACTERÍSTICAS DO RELATO

Relato de fatos na ordem em que ocorreram com descrição objetiva e minuciosa dos detalhes que cercam o ocorrido.

Uso misturado de linguagem mais formal com outra mais coloquial.

Relato em primeira pessoa.

Presença de palavras que indicam precisão, tais como números, nomes e endereços completos.

FELIPE RIBEIRO:

Delegado - Bom dia, senhor. Preciso fazer alguns questionamentos sobre o fato que aconteceu hoje pela manhã em seu prédio.

Felipe - Pois não.

Delegado - Primeiramente, faz-se necessário qualificá-lo como testemunha.

Felipe - Por que qualificar? Apenas encontrei o homem caído em frente à minha porta, não presenciei nada.

Delegado - Por favor, senhor, entenda isso como um procedimento de praxe: recebemos um chamado de seu apartamento e, até o presente momento, não temos identificação alguma do corpo e nenhuma outra testemunha. Por favor, diga seu nome completo, sua idade e RG.

Felipe - Felipe Ribeiro, 25 anos, RG 00.000.000-1.

Delegado - Cite seu endereço completo e o tempo de residência no local.

Felipe - Moro há cinco anos na Rua 7 de setembro, 1225, 8o andar, apartamento 455, Centro, Rio Claro.

Delegado - Profissão e local de trabalho.

Felipe - Professor. Trabalho na Escola Estadual Dr. Francisco de Araújo Mascarenhas.

Delegado - Esta delegacia recebeu um chamado denunciando a presença de um cadáver em frente ao seu apartamento. Quem fez a ligação?

Felipe - Não vi ninguém no corredor, fiquei apavorado e não sabia a quem recorrer. Por isso, eu mesmo liguei.

Delegado - Quanto tempo depois de encontrar o corpo, o senhor tomou a iniciativa de ligar?

Felipe - Não sei. A julgar pela hora que acordei e tendo em vista que foi logo em seguida que ouvi a campainha, creio que devo ter ligado por volta das 7h30min, imediatamente após ter notado que o homem estava morto.

Delegado - O senhor disse ter ouvido a campainha? Então, havia mais alguém?

Felipe - Eu não vi se havia mais alguém. Só sei que ao escutar a campainha tocando, fui atender e me deparei com o corpo caído na soleira da minha porta. Fiquei assustado e quando percebi o corpo imóvel, toquei nele e senti que estava frio e rígido. Creio que não foi ele que tocou a campainha. Aí, fechei a porta correndo e a primeira coisa que me veio à cabeça foi ligar para a polícia.

Delegado - O senhor estima quanto tempo desde que ouviu a campainha até abrir a porta?

Felipe - Foi o tempo de secar o rosto e caminhar até a porta. Penso que não chegou a 1 minuto.

Delegado - O senhor se lembra de ter escutado algum barulho antes do toque da campainha?

Felipe - Não que eu tenha prestado atenção, pois faço tudo muito rápido pela manhã e costumo deixar a televisão ligada para ouvir o noticiário.

Delegado - Entendo. O senhor conhecia a vítima?

Felipe - Não tenho a menor ideia de quem seja.

Delegado - Lembra-se de já tê-la vista pelo prédio?

Felipe - Costumo encontrar diferentes pessoas no elevador, nos corredores, mas a imagem desse homem não me é familiar.

Delegado - O senhor conhece as pessoas que moram em seu andar?

Felipe - Dificilmente nos comunicamos, pois são pessoas que moram sozinhas e que trabalham o dia todo. A gente se depara ao sair ou ao chegar. Sei que um dos moradores se mudou para o prédio há uns cinco meses.

Delegado - Percebe alguma movimentação estranha em algum dos apartamentos?

Felipe - Às vezes, nos finais de semana, é comum alguma movimentação maior, pois devem receber visitas, o que é aparentemente normal.

Delegado - A que horas o senhor chegou em casa, na noite passada? Notou algum sinal de festa ou movimentação estranha?

Felipe - Cheguei por volta das 19 horas e não notei nada de diferente.

Delegado - O senhor gostaria de acrescentar algo mais?

Felipe - Não, nada mais.

Delegado - Agradecemos sua contribuição. Talvez seja necessário ouvi-lo novamente, mas o avisaremos se for o caso. Tenha um bom dia.

Felipe - Bom dia.


RENATA MARQUES LUIZ DOS SANTOS:

O delegado chega ao local e encontra uma aglomeração.

Delegado - Quem encontrou o corpo?

Renata - Fui eu.

Delegado - Qual o seu nome?

Renata - Renata.

Delegado - Como foi que a senhora a encontrou?

Renata - Eu costumo caminhar nesta rua, todos os dias. Eu estava vindo, como de costume, e avistei essa moça caída. Quando me aproximei, vi sangue na calçada e percebi que ela estava morta.

Delegado - A senhora tocou nela, alterou a cena do crime de alguma maneira?

Renata - Não. Eu só percebi que ela não estava respirando, mas não mexi no corpo.

Delegado - A senhora conhecia a vítima?

Renata - Eu não sei quem ela é, mas já a vi por aqui diversas vezes.

(O delegado pega a bolsa da vítima, tira a carteira com os documentos e pede pra um investigador procurar saber se ela mora na região ou se alguém a conhece).

Delegado - A senhora viu alguém próximo da cena do crime ou algo suspeito?

Renata - Quando eu estava me aproximando, vi uma van que estava parada um pouco mais a frente, dando uma arrancada naquela direção.

Delegado - A senhora conseguiu ver a placa?

Renata - Hoje não, mas eu já vi essa van antes por aqui e me chamou a atenção porque a placa é de Recife.
Delegado - A senhora tem certeza de que é a mesma van?

Renata - Certeza absoluta eu não tenho, mas é a mesma cor e o mesmo modelo.

(O delegado determina que o investigador pergunte aos moradores do bairro se algum deles pode identificar a van ou o motorista.)

Delegado - Quanto à senhora, dona Renata, preciso que se dirija, amanhã, sem falta, ao 12º distrito policial, para tomarmos o seu depoimento e darmos início ao inquérito.

Renata - Sim senhor. Conte comigo para colaborar com as investigações.


ELY ANTUNES DOS SANTOS:

O interrogatório

Na tarde do dia e horário determinado para o interrogatório cheguei a 30ª Delegacia de Polícia do Interior Paulista, intimada para prestar esclarecimentos, como “testemunha”, de um delito ocorrido pela manhã como constava no B.O.
Fui informada que por ordem delegado foi feita a instauração do inquérito para elucidar e coletar informações o sobre o fato delituoso e que a realização do interrogatório seria feito pelo mesmo que estava de plantão naquele momento.
Esperei pela hora marcada... 14h e 30 min. Logo após o delegado me chamou.

- Senhora Ely?  Entre, por favor.

- Boa tarde.

- Boa tarde.

- Sente-se.

- Obrigada.

- Senhora Ely...

- Ely dos Santos.

- A senhora está ciente que esta aqui para prestar esclarecimentos em termo de depoimento?

- Sim, delegado estou ciente.

- Como consta no B.O., às 5h e 30min., houve uma chamada do número de telefone da sua residência, em seu nome, para o número 190 solicitando a presença da PM, para averiguação do fato ocorrido?

- Sim, fui eu que liguei para 190, quando  vi aquele corpo na minha porta.

- Como relata a ocorrência nesse local foi encontrado um cadáver identificado como do sexo masculino, com dados já confirmados. A Sra. conhecia a vítima?

- Não a conhecia.

- Mas como já foi averiguado ele residia nesse condomínio há três meses próximo ao seu número. Tem conhecimento deste fato?

- Eu não tinha amizade com ele, apenas vi-o entrar  na casa ao lado algumas vezes. Nos cumprimentamos... somente.

- Sra. Ely, a quanto tempo reside nesse local?

- Mudei-me a um mês.

- Relate-me o que aconteceu.

- Delegado, como faço sempre... Abri os olhos. Consultei o relógio de cabeceira. Levantei-me. Fui ao banheiro. Escovei os dentes. Lavei o rosto. Ouvi a campanhia da porta... Enxuguei-me às pressas. Sai do banheiro. Caminhei até a porta. Destranquei a fechadura.  Abri a porta. Vi um homem caído na soleira. Corri o olhar em volta. Constatei que não havia ninguém mais no corredor.

- Continue... E o que mais?

- Abaixei-me. Toquei o corpo estava frio e rígido. Percebi que era um cadáver.

- Por que?

- Estava frio e rígido. Corri para o telefone. Disquei o número da central de polícia.

- Viu, ouviu algo que não fazia parte da rotina do dia?

- Não, nem a noite.

- Sra. Ely, no momento em que discava, sua porta permaneceu aberta ou fechada?

- Sr. Delegado, eu fechei a porta.

- Por que?

- Fiquei com medo!

- E o que aconteceu logo em seguida?

- Sentei-me no sofá da sala de estar, estava muito assustada, esperei  e em alguns minutos após a viatura chegou.

- No momento havia alguém no local?

- Não.

- Digo, em sua residência?

- Não delegado. Eu estava sozinha.

- Poderia me dizer o por quê ou algum motivo pelo qual o corpo estava na soleira da sua porta?

- Não delegado. Estou apavorada com esse fato. Eu não o conhecia!

- Todas as informações aqui prestadas pela Sra., contribuem para o conjunto investigatório.

- Compreendo, Sr. Algo mais, delegado?

- Pelo momento é só isso, caso contrário, solicitaremos sua presença.

- Boa tarde!

- Boa tarde!

Voltei para casa. Esquecer impossível. A vida continua...


REGINA HELENA MARTINS MARQUES DA CRUZ:

Estou sentada no sofá aguardando a chegada da polícia. Espero que não demore! Estou apavorada!
Ouço a campainha, abro porta. Diante de mim alguns policiais me olham com desconfiança. Apresentam-se:

- Delegado Esteves, muito prazer. Estes são os policiais José e Wilson.

- Muito prazer, como  já informei pelo telefone, ao acordar escutei a campainha tocar e quando abri a porta me deparei com essa pessoa morta.

- A senhora  o conhecia?

- Não, talvez more aqui no prédio, não sei, não conheço todos os moradores.

- Tudo que for dito constará dos autos do processo, a senhora sabe? Tem conhecimento da importância de suas declarações?

- Sim, tenho.

- A senhora teria algum suspeito?

A pergunta me pegou de surpresa. Como poderia suspeitar de alguém?

- Claro que não. Conheço pouca gente, aqui no condomínio.

Então, me lembrei, havia uma fofoqueira no prédio, uma senhora, a síndica, ela sabia tudo, via tudo.

- Doutor aqui tem uma síndica, conhecida como "velha pescoço". Precisamos falar com ela, com certeza ela será útil.

Embora a situação fosse tensa, houve um ligeiro sorriso no rosto de cada um.

- Ela mora no 309.

- Obrigado, disse o delegado, retirando-se com os policiais. Vou tomar as providências necessárias para a remoção do corpo e tentar um encontro com a síndica. 





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